Serviço Social desempenha papel significativo por fortalecer a cidadania, autonomia e identidade dos jovens atletas
Antonina Pertile,Rosa Maria Castilhos Fernandes
Introdução
Meu pontapé inicial se deu quando entrei no Estágio Curricular I e II em Serviço Social, mesmo sem ter muito claro qual seria o processo de trabalho de um assistente social no campo de futebol. No decorrer dessa aprendizagem adquiri conhecimentos através da vivência acadêmica na temática: futebol e adolescência.
Observei que a prática do esporte nessa fase tem como vantagem principal, o estímulo à socialização, prevenção ao uso de drogas, maior clareza quanto aos seus objetivos, melhor qualidade de vida e incentivo a auto-estima, entre outros benefícios. Nesse contexto busquei respaldo teórico nos quatro pilares da Unesco: aprender a ser, aprender a aprender, aprender a conviver e aprender a fazer, para que os atletas tivessem um diferencial a mais na sua formação.
Dessa forma, a partir das interações junto aos atletas das Categorias de Base, nascidos em 1991, o trabalho em grupo foi de profunda importância para fortalecê-los em nível social, familiar e intelectual. Trabalhando conceitos como cidadania, autonomia e a constituição da identidade, transformando-os em sujeitos com direitos e responsabilidades, sempre vinculando seus sonhos de se tornarem atletas profissionais.
As dinâmicas de grupo tinham a finalidade de incentivá-los ao enfrentamento das dificuldades, sucessos, insucessos e expectativas nas novas relações que se estabeleciam entre o grupo e a equipe técnica. Os encontros também serviam para amenizar a ausência dos familiares.
As atividades eram sempre dirigidas conforme a necessidade apresentada no momento e sentimentos vividos pelos atletas. A primeira dinâmica realizada para integrar os atletas foi a "rede", simbolizando que dependemos e precisamos uns dos outros para viver, trabalhar e crescer.
Aos poucos, de acordo com as dinâmicas e técnicas grupais, os integrantes foram adquirindo confiança e se tornaram mais participativos. Observou-se que nem todos demonstravam interesse pelos estudos. Diziam que não precisavam estudar porque iriam ganhar muito dinheiro e que o estudo era dispensável. Foi quando usamos a estratégia da entrevista que ludicamente consistia na fala sobre suas jogadas como se já fossem jogadores profissionais que nós estávamos entrevistando. Cada um deveria ouvir atentamente o que o outro dizia. Foi maravilhoso perceber que os próprios participantes do grupo reprovaram suas entrevistas por conterem expressões mal formuladas. Concluíram que deveriam estudar, porque a comunicação é fundamental para o bom relacionamento e principalmente numa entrevista.
Dessa forma o processo grupal ocorreu num movimento dialético, onde cada temática abordada possibilitava avançar para outros temas de interesse. E foi nestas idas e vindas do movimento dialético, na interação grupal, ocorreram os ajustes e correções de conceitos, preconceitos, tabus, fantasias inconscientes, idéias preconcebidas e estereotipadas, contribuindo para que a mudança esperada acontecesse.
Pensamos em dar início a esse enfrentamento necessário quanto à individualidade e diferenças a partir das dinâmicas de grupo, pois percebemos dificuldades por parte dos adolescentes quanto à opção sexual de um atleta do grupo. Os jovens sempre foram muito críticos com a homossexualidade. A dinâmica escolhida consistia trabalhar com o lúdico, neste momento elegemos a dinâmica do "Gato e o Rato". No desenrolar da brincadeira, cada participante era convidado a fazer o papel do rato para que pudessem fazer a reflexão sobre o que acontece nas relações quando uma pessoa encontra-se numa situação de superioridade ou submissão e qual é o sentimento da que está no papel de submisso. A partir da brincadeira, eles amenizaram as críticas e começaram a aceitar as diferenças porque a experiência da submissão foi impactante.
As atividades lúdicas oportunizam a participação, a aprendizagem, o desenvolvimento do aprender ser, conviver, fazer, a construção e a desconstrução de entendimentos. Assim através das brincadeiras, os atletas tiveram a oportunidade de vivenciar um momento empático e entender os sentimentos daquele colega quando sofre hostilizações por sua forma de ser.
Através da metodologia Construtivista de dinâmica de grupo, trabalhamos com a prática construtivista, que procura identificar que uma pessoa aprende melhor quando toma parte direta na construção do conhecimento que adquire. O conhecimento é sempre o resultado de um processo de construção, que se efetiva na interação entre o sujeito e o objeto. Na interação com o mundo o sujeito está em constante processo de adaptação. "O grupo constrói através da reflexão conjunta sobre o conhecimento de um determinado assunto" (TATAGIBA & FILARTIGA, 2002, p.41).
Essa visão construtivista possibilitou o desenvolvimento das potencialidades que cada um trouxe consigo. Cada integrante do grupo foi incentivado a partilhar sua situação, sua história de vida, ou as dificuldades que vivenciava neste novo contexto. Cada adolescente relatou sua história, tendo a possibilidade de estabelecer-se um vínculo onde puderam relatar suas principais vivências perante o grupo e criaram uma nova história numa construção coletiva, resultante dessa interação, gerando uma história própria, inovadora que dará ao grupo sua especificidade e identidade grupal ao modo de uma nova família da qual fiz parte.
Conforme Zimerman, "o vínculo é uma estrutura dinâmica que engloba tanto o indivíduo como aquele com quem interage e se constitui em uma gestalt em constante processo de evolução" (1985, p. 33). Esse processo incentiva o atleta na busca de conhecimento e pelo prazer que ele propõe. O assistente social nesse espaço tem um papel fundamental de lidar com as diferenças individuais. Seu olhar sensível às emoções dos atletas, como seus sorrisos, suas palavras, seus protestos, seus anseios, seus sucessos e suas frustrações.
Partindo desta constatação, julgamos imprescindível trabalharmos os vínculos afetivos entre os jovens, construindo uma rede de apoio com outros profissionais como: monitores técnicos, treinadores, psicólogos, para que os mesmos pudessem encontrar o incentivo, o companheirismo nos demais atletas, propiciando um canal de comunicação saudável entre eles.
Num dos encontros com os adolescentes, realizamos a "dinâmica da flor", com a intenção de fortalecer a identidade grupal, fortalecendo os laços de convivênciae das relações. Também facilitando a expressão dos sentimentos de todos os membros do grupo e dando relevância ao respeito pelas diferenças de cada um. Essa dinâmica consiste em flores confeccionadas em papel gessado, de diversas cores e com mensagens descritas em cada uma. Essas flores em contato com a água desabrocham cada qual no seu tempo. Assim os atletas tiveram a oportunidade de expressar da sua forma o significado para si, de como é este tempo de espera para conseguir alcançar seus objetivos. É significativo quando os adolescentes envolvidos e confiantes em si mesmos conseguem contribuir com depoimentos e relatos de vida. No encerramento foi partilhado com o grupo, que como o processo visualizado da flor na água é a dinâmica da vida, cada um de nós tem seu tempo e que quando nos conhecemos melhor e mais profundamente, passamos a compreender e respeitar o tempo dos outros.
Para trabalhar a autonomia elegemos a dinâmica da "visualização do futuro". Os atletas começaram a divagar sobre o futuro e se viram jogando em clubes estrangeiros, com total autonomia, conseguindo inclusive escolher o clube onde irão atuar. Aproveitamos para informá-los que para tanto deverão continuar estudando e que deverão adquirir diferentes conhecimentos que vão ajudá-los para melhorar a comunicação no futuro.
Para que tomem consciência de que deverão ter autonomia sobre suas decisões, serem solidários com os outros atletas, ter discernimento e bom caráter, o companheirismo deve prevalecer acima de tudo onde quer que estejam. Informamos que nem todos os atletas adolescentes têm a oportunidade que eles têm e que se quiserem aproveitá-la se tornarão cidadãos comprometidos com valores morais como exemplos a serem seguidos.
Segundo Vasconcelos:
(....) a idéia de autonomia, de responsabilidade de cada um por sua vida, não pode ser separada da existência coletiva. Um indivíduo não pode realizar sua autonomia individualmente, ela só pode ser exercida coletivamente (1985, p. 54).
Neste contexto os adolescentes passam a compreender que a sua autonomia em estudar, se capacitar, se desenvolver perpassa para o sucesso de todo o grupo, pois futebol é um esporte que depende da preparação dos jogadores que compõem a equipe. Assim, o Serviço Social que vivencia o trabalho multidisciplinar tem a dimensão da importância dessa cooperação de diferentes saberes para um fim comum, também os adolescentes com o entendimento da equipe para fazer muitos gols.
O fortalecimento da cidadania foi desenvolvido junto aos adolescentes através da exibição do filme: "Ilha das Flores",que demonstra cenas de miserabilidadevivida pelos moradores da Ilha das Flores, com o intuito de incentivar os atletas a refletirem sobre sua condição de vida, que não podem se acomodar, mas buscar seu espaço na sociedade como cidadãos de direitos, sem esquecer dos deveres, sempre tendo presente o sentimento fraterno. Os atletas puderam perceber a dura realidade dessas pessoas que consomem o que não é destinado aos porcos. Refletir sobre o tema é uma forma de torná-los sujeitos conscientes dando mais importância às oportunidades que têm de se tornarem jogadores profissionais sem descuidar dos estudos, pois poderão, no futuro, seguir outra profissão.
Ao término do estágio, os adolescentes estavam bem diferentes daqueles meninos que iniciaram a freqüentar o grupo no mês de março/2004. Todos estão mais confiantes, alegres, comunicativos e participativos. No início fugiam para não dar um abraço. Agora, simplesmente, passavam pela sala do Serviço Social para nos abraçar e dizer que deveríamos permanecer juntos, porque aprenderam a ser mais gente.
O Serviço Social desenvolveu sua ação profissional no sentido de incentivar o atleta a aprender a pensar criticamente, a enfrentar situações novas e a confiar mais em si e nos outros, a descobrir e desenvolver suas potencialidades, pois assim ele estará mais preparado para enfrentar as mudanças. Como a situação vivenciada pelo Serviço Social junto aos atletas, pois na finalização do Estágio Curricular, ocorre perspectiva de mudança e a acolhida de novos profissionais nesse espaço institucional.
Foi percebido ao longo dessa caminhada dentro do Sport Club Internacional o quanto é importante e significativo à ação profissional do Serviço Social junto aos atletas na construção de suas trajetórias como cidadãos conscientes na busca pelo seu espaço no mundo do futebol.
A coragem destes atletas deixando suas famílias para trás, em busca de seus sonhos, da sua lenda pessoal, de assumir sua autonomia e ser dono de seu próprio destino é algo que deve ser considerado, porque são pequenos heróis que às vezes se perguntam se os riscos, a ousadia e o desprendimento valem a pena. Questionamentos que todos os indivíduos perpassam na escolha da profissão, pois a vida é feita de escolhas.
Considerações finais
Ser assistente social requer gostar de pessoas, saber valorizá-las, incentivá-las e libertá-las de idéias pré-concebidas. Utilizar o conhecimento teórico para revelar a realidade social. Na prática, junto ao atleta, não impor o nosso ritmo, mas respeitar o tempo de cada um, preservando sua maneira de ser, sua bagagem histórica, seu pensar, seu saber, seu fazer.
O Serviço Social, através da articulação grupal para o fortalecimento dos atletas, como sujeitos da sua própria história. A ação do Assistente Social vai ao encontro da partilha de experiências, dúvidas e sonhos dos atletas como estratégia de fortalecimento dos mesmos.
Nesse processo de formação adquiri habilidades e conhecimentos que espero poder utilizar no enfrentamento da questão social que é o objeto do Serviço Social. As diferentes disciplinas que cursamos na nossa formação acadêmica, cada uma com suas especificidades, nos enriqueceram para o desenvolvimento das competências ético-políticas, teórico-metodológico e técnico-operativo.
Aprender a olhar, olhar outra vez para o que já parece tão familiar; posicionar-se de outro jeito, objetivamente e subjetivamente; usar outros óculos, trocar, mudar as lentes e suas cores e até ver com os olhos dos outros ou "com outros olhos". Este movimento e experiência sensorial impulsionaram e estimularam um novo olhar para as ações interventivas num ritmo alternado de afunilar e abarcar, vendo, portanto, de uma forma mais ampla e aprofundada a ação do assistente social
Meu pontapé inicial se deu quando entrei no Estágio Curricular I e II em Serviço Social, mesmo sem ter muito claro qual seria o processo de trabalho de um assistente social no campo de futebol. No decorrer dessa aprendizagem adquiri conhecimentos através da vivência acadêmica na temática: futebol e adolescência.
Observei que a prática do esporte nessa fase tem como vantagem principal, o estímulo à socialização, prevenção ao uso de drogas, maior clareza quanto aos seus objetivos, melhor qualidade de vida e incentivo a auto-estima, entre outros benefícios. Nesse contexto busquei respaldo teórico nos quatro pilares da Unesco: aprender a ser, aprender a aprender, aprender a conviver e aprender a fazer, para que os atletas tivessem um diferencial a mais na sua formação.
Dessa forma, a partir das interações junto aos atletas das Categorias de Base, nascidos em 1991, o trabalho em grupo foi de profunda importância para fortalecê-los em nível social, familiar e intelectual. Trabalhando conceitos como cidadania, autonomia e a constituição da identidade, transformando-os em sujeitos com direitos e responsabilidades, sempre vinculando seus sonhos de se tornarem atletas profissionais.
As dinâmicas de grupo tinham a finalidade de incentivá-los ao enfrentamento das dificuldades, sucessos, insucessos e expectativas nas novas relações que se estabeleciam entre o grupo e a equipe técnica. Os encontros também serviam para amenizar a ausência dos familiares.
As atividades eram sempre dirigidas conforme a necessidade apresentada no momento e sentimentos vividos pelos atletas. A primeira dinâmica realizada para integrar os atletas foi a "rede", simbolizando que dependemos e precisamos uns dos outros para viver, trabalhar e crescer.
Aos poucos, de acordo com as dinâmicas e técnicas grupais, os integrantes foram adquirindo confiança e se tornaram mais participativos. Observou-se que nem todos demonstravam interesse pelos estudos. Diziam que não precisavam estudar porque iriam ganhar muito dinheiro e que o estudo era dispensável. Foi quando usamos a estratégia da entrevista que ludicamente consistia na fala sobre suas jogadas como se já fossem jogadores profissionais que nós estávamos entrevistando. Cada um deveria ouvir atentamente o que o outro dizia. Foi maravilhoso perceber que os próprios participantes do grupo reprovaram suas entrevistas por conterem expressões mal formuladas. Concluíram que deveriam estudar, porque a comunicação é fundamental para o bom relacionamento e principalmente numa entrevista.
Dessa forma o processo grupal ocorreu num movimento dialético, onde cada temática abordada possibilitava avançar para outros temas de interesse. E foi nestas idas e vindas do movimento dialético, na interação grupal, ocorreram os ajustes e correções de conceitos, preconceitos, tabus, fantasias inconscientes, idéias preconcebidas e estereotipadas, contribuindo para que a mudança esperada acontecesse.
Pensamos em dar início a esse enfrentamento necessário quanto à individualidade e diferenças a partir das dinâmicas de grupo, pois percebemos dificuldades por parte dos adolescentes quanto à opção sexual de um atleta do grupo. Os jovens sempre foram muito críticos com a homossexualidade. A dinâmica escolhida consistia trabalhar com o lúdico, neste momento elegemos a dinâmica do "Gato e o Rato". No desenrolar da brincadeira, cada participante era convidado a fazer o papel do rato para que pudessem fazer a reflexão sobre o que acontece nas relações quando uma pessoa encontra-se numa situação de superioridade ou submissão e qual é o sentimento da que está no papel de submisso. A partir da brincadeira, eles amenizaram as críticas e começaram a aceitar as diferenças porque a experiência da submissão foi impactante.
As atividades lúdicas oportunizam a participação, a aprendizagem, o desenvolvimento do aprender ser, conviver, fazer, a construção e a desconstrução de entendimentos. Assim através das brincadeiras, os atletas tiveram a oportunidade de vivenciar um momento empático e entender os sentimentos daquele colega quando sofre hostilizações por sua forma de ser.
Através da metodologia Construtivista de dinâmica de grupo, trabalhamos com a prática construtivista, que procura identificar que uma pessoa aprende melhor quando toma parte direta na construção do conhecimento que adquire. O conhecimento é sempre o resultado de um processo de construção, que se efetiva na interação entre o sujeito e o objeto. Na interação com o mundo o sujeito está em constante processo de adaptação. "O grupo constrói através da reflexão conjunta sobre o conhecimento de um determinado assunto" (TATAGIBA & FILARTIGA, 2002, p.41).
Essa visão construtivista possibilitou o desenvolvimento das potencialidades que cada um trouxe consigo. Cada integrante do grupo foi incentivado a partilhar sua situação, sua história de vida, ou as dificuldades que vivenciava neste novo contexto. Cada adolescente relatou sua história, tendo a possibilidade de estabelecer-se um vínculo onde puderam relatar suas principais vivências perante o grupo e criaram uma nova história numa construção coletiva, resultante dessa interação, gerando uma história própria, inovadora que dará ao grupo sua especificidade e identidade grupal ao modo de uma nova família da qual fiz parte.
Conforme Zimerman, "o vínculo é uma estrutura dinâmica que engloba tanto o indivíduo como aquele com quem interage e se constitui em uma gestalt em constante processo de evolução" (1985, p. 33). Esse processo incentiva o atleta na busca de conhecimento e pelo prazer que ele propõe. O assistente social nesse espaço tem um papel fundamental de lidar com as diferenças individuais. Seu olhar sensível às emoções dos atletas, como seus sorrisos, suas palavras, seus protestos, seus anseios, seus sucessos e suas frustrações.
Partindo desta constatação, julgamos imprescindível trabalharmos os vínculos afetivos entre os jovens, construindo uma rede de apoio com outros profissionais como: monitores técnicos, treinadores, psicólogos, para que os mesmos pudessem encontrar o incentivo, o companheirismo nos demais atletas, propiciando um canal de comunicação saudável entre eles.
Num dos encontros com os adolescentes, realizamos a "dinâmica da flor", com a intenção de fortalecer a identidade grupal, fortalecendo os laços de convivênciae das relações. Também facilitando a expressão dos sentimentos de todos os membros do grupo e dando relevância ao respeito pelas diferenças de cada um. Essa dinâmica consiste em flores confeccionadas em papel gessado, de diversas cores e com mensagens descritas em cada uma. Essas flores em contato com a água desabrocham cada qual no seu tempo. Assim os atletas tiveram a oportunidade de expressar da sua forma o significado para si, de como é este tempo de espera para conseguir alcançar seus objetivos. É significativo quando os adolescentes envolvidos e confiantes em si mesmos conseguem contribuir com depoimentos e relatos de vida. No encerramento foi partilhado com o grupo, que como o processo visualizado da flor na água é a dinâmica da vida, cada um de nós tem seu tempo e que quando nos conhecemos melhor e mais profundamente, passamos a compreender e respeitar o tempo dos outros.
Para trabalhar a autonomia elegemos a dinâmica da "visualização do futuro". Os atletas começaram a divagar sobre o futuro e se viram jogando em clubes estrangeiros, com total autonomia, conseguindo inclusive escolher o clube onde irão atuar. Aproveitamos para informá-los que para tanto deverão continuar estudando e que deverão adquirir diferentes conhecimentos que vão ajudá-los para melhorar a comunicação no futuro.
Para que tomem consciência de que deverão ter autonomia sobre suas decisões, serem solidários com os outros atletas, ter discernimento e bom caráter, o companheirismo deve prevalecer acima de tudo onde quer que estejam. Informamos que nem todos os atletas adolescentes têm a oportunidade que eles têm e que se quiserem aproveitá-la se tornarão cidadãos comprometidos com valores morais como exemplos a serem seguidos.
Segundo Vasconcelos:
(....) a idéia de autonomia, de responsabilidade de cada um por sua vida, não pode ser separada da existência coletiva. Um indivíduo não pode realizar sua autonomia individualmente, ela só pode ser exercida coletivamente (1985, p. 54).
Neste contexto os adolescentes passam a compreender que a sua autonomia em estudar, se capacitar, se desenvolver perpassa para o sucesso de todo o grupo, pois futebol é um esporte que depende da preparação dos jogadores que compõem a equipe. Assim, o Serviço Social que vivencia o trabalho multidisciplinar tem a dimensão da importância dessa cooperação de diferentes saberes para um fim comum, também os adolescentes com o entendimento da equipe para fazer muitos gols.
O fortalecimento da cidadania foi desenvolvido junto aos adolescentes através da exibição do filme: "Ilha das Flores",que demonstra cenas de miserabilidadevivida pelos moradores da Ilha das Flores, com o intuito de incentivar os atletas a refletirem sobre sua condição de vida, que não podem se acomodar, mas buscar seu espaço na sociedade como cidadãos de direitos, sem esquecer dos deveres, sempre tendo presente o sentimento fraterno. Os atletas puderam perceber a dura realidade dessas pessoas que consomem o que não é destinado aos porcos. Refletir sobre o tema é uma forma de torná-los sujeitos conscientes dando mais importância às oportunidades que têm de se tornarem jogadores profissionais sem descuidar dos estudos, pois poderão, no futuro, seguir outra profissão.
Ao término do estágio, os adolescentes estavam bem diferentes daqueles meninos que iniciaram a freqüentar o grupo no mês de março/2004. Todos estão mais confiantes, alegres, comunicativos e participativos. No início fugiam para não dar um abraço. Agora, simplesmente, passavam pela sala do Serviço Social para nos abraçar e dizer que deveríamos permanecer juntos, porque aprenderam a ser mais gente.
O Serviço Social desenvolveu sua ação profissional no sentido de incentivar o atleta a aprender a pensar criticamente, a enfrentar situações novas e a confiar mais em si e nos outros, a descobrir e desenvolver suas potencialidades, pois assim ele estará mais preparado para enfrentar as mudanças. Como a situação vivenciada pelo Serviço Social junto aos atletas, pois na finalização do Estágio Curricular, ocorre perspectiva de mudança e a acolhida de novos profissionais nesse espaço institucional.
Foi percebido ao longo dessa caminhada dentro do Sport Club Internacional o quanto é importante e significativo à ação profissional do Serviço Social junto aos atletas na construção de suas trajetórias como cidadãos conscientes na busca pelo seu espaço no mundo do futebol.
A coragem destes atletas deixando suas famílias para trás, em busca de seus sonhos, da sua lenda pessoal, de assumir sua autonomia e ser dono de seu próprio destino é algo que deve ser considerado, porque são pequenos heróis que às vezes se perguntam se os riscos, a ousadia e o desprendimento valem a pena. Questionamentos que todos os indivíduos perpassam na escolha da profissão, pois a vida é feita de escolhas.
Considerações finais
Ser assistente social requer gostar de pessoas, saber valorizá-las, incentivá-las e libertá-las de idéias pré-concebidas. Utilizar o conhecimento teórico para revelar a realidade social. Na prática, junto ao atleta, não impor o nosso ritmo, mas respeitar o tempo de cada um, preservando sua maneira de ser, sua bagagem histórica, seu pensar, seu saber, seu fazer.
O Serviço Social, através da articulação grupal para o fortalecimento dos atletas, como sujeitos da sua própria história. A ação do Assistente Social vai ao encontro da partilha de experiências, dúvidas e sonhos dos atletas como estratégia de fortalecimento dos mesmos.
Nesse processo de formação adquiri habilidades e conhecimentos que espero poder utilizar no enfrentamento da questão social que é o objeto do Serviço Social. As diferentes disciplinas que cursamos na nossa formação acadêmica, cada uma com suas especificidades, nos enriqueceram para o desenvolvimento das competências ético-políticas, teórico-metodológico e técnico-operativo.
Aprender a olhar, olhar outra vez para o que já parece tão familiar; posicionar-se de outro jeito, objetivamente e subjetivamente; usar outros óculos, trocar, mudar as lentes e suas cores e até ver com os olhos dos outros ou "com outros olhos". Este movimento e experiência sensorial impulsionaram e estimularam um novo olhar para as ações interventivas num ritmo alternado de afunilar e abarcar, vendo, portanto, de uma forma mais ampla e aprofundada a ação do assistente social
